-

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

ATLAS em Carne e Osso vai aparecer em Sampa

Gente, imperdível! Baleia novamente em São Paulo!!
 

Lugar legal, hora ótima!! Eu e Neusa estaremos lá!!

Baleia volta a Sampa para o lançamento da versão física de ATLAS, com um livro ilustrado de 32 páginas by Lisa Akerman, ampliando o universo do álbum.

Centro Cultural São Paulo - Rua Vergueiro, 1000 Tel. 3397-4002
 

04 de setembro (domingo)
Abertura: 17h30 - 

Início do show: 18h
 

Inteira: R$ 25,00 - Meia: R$ 12,50
 

Classificação: Livre - Confirme presença aqui.
https://www.facebook.com/events/1823751171189045/


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Aziz Medalha de Ouro



Amigos, notem bem a verdadeira maratona deste meu amigo!

Grande Aziz!!!!
Obrigadíssimo pela honrosa menção.
Eu nada mais fiz senão admirar meus novos amigos, heróis olímpicos, sim, em suas missões quase impossíveis, audaciosamente indo onde nenhum amante do esporte jamais esteve!
Admirável!!!
Eis o log de sua verdadeira aventura olímpica!!


✅59 eventos
✅ 37 esportes (de um total de 42)
✅ 32 instalações (TODAS)
✅ 59 medalhas de ouro
✅ 54 competições com brasileiros, com 28 vitórias
✅ 8 medalhas brasileiras (3 de ouro, 2 de prata e 3 de bronze)
✅ 8 recordes olímpicos e 3 recordes mundiais
✅ Quase todos os mitos presentes na Rio 2016: Michael Phelps (EUA, Natação), Usain Bolt (Jamaica, Atletismo), Novak Djokovic (Sérvia, Tênis) e Serena Williams (EUA, Tênis), Teddy Riner (França, Judô), Simone Biles (EUA, Ginástica Artística), Katie Ledecky (EUA, Natação), Cris Froome e Mark Cavendish (Grã-Bretanha, Ciclismo), Walsh (EUA, Vôlei de Praia), Marta e Neymar (Brasil, Futebol), Robert Scheidt (Brasil, Vela), Serginho e Bernardinho (Brasil, Vôlei) Saori Yoshida (Japão, Luta Livre), "Dream Team" (EUA, Basquete Masculino), Equipe Americana feminina de 8 com (EUA, Remo), Dueto Russo (Nado Sincronizado), Seleção Brasileira de Vôlei Feminino
✅ Eventos importantes com Brasil: Futebol masculino e feminino, Vôlei masculino e feminino, Handebol masculino e feminino, Basquete masculino e feminino, Polo Aquático Masculino e Feminino, Equipe Feminina de Ginástica Artística, Agatha e Bárbara, Martina Grael e Kahena Kunze, Isaquias Queiroz, Robson Conceição, Arthur Zanetti, Robert Scheidt, Yane Marques, Álvaro "Doda" de Miranda, Marcelo Melo e Bruno Soares, Thomás Belucci, Juliana Veloso, Fabiana Murer,
✅ Todos os dias com eventos olímpicos (de 03/08 a 21/08)
✅ 7 eventos no mesmo dia (6a feira, dia 12/08 - Golfe, Badminton, Judô, Saltos Ornamentais, Polo Aquático e Natação)
✅ Todas as áreas olímpicas no mesmo dia (5a feira dia 18/08, Canoagem Velocidade na Lagoa/área Copacabana, Ciclismo BMX no Parque Radical/área Deodoro, Saltos Ornamentais e Luta Livre no Parque Olímpico/área Barra da Tijuca e Vôlei no Maracanãzinho/área Maracanã)
✅ Todos os 41 copos temáticos (e pelo menos o triplo de cerveja consumida)
✅ 3 casas temáticas (nessas eu queria ter ido mais. Vou aproveitar pra visitar nas próximas semanas as que continuarão abertas)
✅ 2 noitadas olímpicas + 2 passeios no Boulevard Olímpico.

Hoje me sinto realizado. Um ano e meio de planejamento pra curtir a Rio 2016 e posso dizer que o resultado superou muito minhas expectativas.

Gostaria de agradecer a todos os amigos que de alguma forma me ajudaram a curtir de maneira tão intensa esse evento único. Minha esposa Bianca Alves pela compreensão e por segurar as pontas nos momentos de ausência (e obviamente pela adorável companhia nos eventos que fomos juntos). A galera que me acompanhou nas partidas. A galera que me deu várias dicas, em especial a turma dos almoços de 3a da Petrobras - Thiago, Fernando, Anderson, Renato e o convidado permanente Homero. Até os amigos que me "perturbaram" durante o período da olimpíada para arrumar/vender ingressos em cima da hora ou passar dicas (estava muito corrido e não consegui dar a devida atenção a todos, mas espero sinceramente que de alguma forma tenha ajudado). A todos que acompanharam minha saga por aqui e pelo WhatsApp e que me motivaram a registrar os momentos que passei.

Tenho certeza que não teria aproveitado tanto sem vocês.

Veni, vidi, vici

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Venha à Bienal de São Paulo!

Mais uma Bienal em São Paulo!

Renata Ventura estará lá, e convida!!

Quem for, clica aqui e confirma presença!

 Eu e Neusa estaremos lá, nos dias 27 e 28! 

Se ainda não conhece A Arma Escarlate, veja aqui:
http://blogdohomerix.blogspot.com.br/2011/08/arma-escarlate.html

Sempre é tempo de entrar no mundo que ela criou!


O doodle do Google

Hoje o Facebook me lembrou deste post de 5 anos atrás.
Válido republicá-lo, em homenagem ao matemático!!
_____________________________________________

No dia 25 de janeiro de 2011, o Google, através do seu Doodle, inspirou-me a escrever um post sobre o aniversário do de São Paulo. O desenho era uma homenagem a Tom Jobim, que faria aniversário na mesma data, e lembrava o RIo de Janeiro. Ironicamente uma imagem do Rio me fez escrever sobre São Paulo. O post a que me refiro é este:



Os já tradicionais Doodles do Google são a forma que a gigante companhia usa para homenagear fatos que acontecem, celebridades mortas que aniversariam. Duvido que nenhum de vocês não tenha notado sua existência. Faz parte já do folclore da rede! E eles são muito criativos. No último Dia dos Pais, a homenagem foi muito singela, com a troca do 'L' por uma gravata. E note que eles fazem isso adaptado às datas do país. Da mesma forma que Tom Jobim foi homenageado apenas no Brasi, o Dia dos Pais só é celebrado no 2º domingo de agosto no Brasil. Na maioria dos países, ele é comemorado no 3º domingo de junho, inclusive nos EUA. O Dia da Mães é comemorado no 2º domingo de maio em vários países, inclusive EUA e China, portanto, quase 2 bilhões de humanos usam a mesma data.

Em 17 de agosto de 2011, ao abrir Google, como faço, sempre que preciso de alguma informação, deparei-me com um Doodle diferente, e com uma citação genial!



A coisa funciona assim: quando se quer saber o significado da celebração, passa-se o mouse por sobre o Doodle, e aparece a explicação. Eu estava reconhecendo a equação, mas não me lembrava exatamente. Neste caso, apareceu a seguinte citação:
"Eu tenho uma demonstração realmente maravilhosa para esta proposição, mas este doodle é muito pequeno para contê-la". 

E aí lembrei: O Último Teorema de Fermat. Puxa, lamentável eu não ter lembrado de cara, afinal trata-se de um livro que eu li há uns 10 anos, e está em meu perfil, no blog. O matemático escrevia suas idéias nas margens dos livros que lia, e disse exatamente isto: 
"Eu tenho uma demonstração realmente maravilhosa para esta proposição, mas esta margem é muito pequena para contê-la".  

E ficou nisso, como ele não escreveu a demonstração, morreu,  niguém ficou sabendo, e a proposição levou 300 anos para ser provada, em 1994.

c.q.d.

Genial ou não, o Doodle da vez?  

No caso, a razão da homenagem é a data de nascimento do matemático, Pierre de Fermat, em 1611.

Interessante notar que não se reconheceria tratar-se de uma representação da palavra Google, não fosse a presença do G estilizado que sempre nos recebe ao abrir esse programa fundamental a praticamente qualquer atividade humana, de lazer ou trabalho, hoje em dia. 





sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Revolver ... revolvendo tudo

Há 50 anos, era lançado Revolver, pelos Beatles!
Hora de relembrar meu post sobre um dos melhores discos dos Beatles, 
de dois anos atrás,com Dona Mira ainda entre nós... 
_________________
Meu antigo carro ficou com Neusa, mas ela pouco anda. Usamos quando levamos Dona Mira pra passear, pois ela fica mais confortável. E também quando precisamos de espaço, como quando a Baleia precisou de carona ao aeroporto. Aquele porta-malas é o máximo! Ideal para bandas que vão viajar! Mas o fato é que ele pouco anda. Então peguei esses primeiros dias de férias e usei-o um pouco!! O bom é que ele tem um equipamento que eu não tenho mais no meu: um tocador de CDs! Sabe, aquela bolachinha de plástico que está em desuso, infelizmente? No meu carro novo, por exemplo, só tem uma portinha USB. Enfim, para esses passeios com vovó, até a Barra por exemplo, Renata mantém um pequeno estoque de CDs no porta-luvas. E fixou em uma única banda: The Beatles! Bom gosto dela, não?

Enfim, o CD que estava no aparelho desta vez era Revolver, de 1966. Há quanto tempo não o ouvia! Que coisa maravilhosa! Algumas particularidades / curiosidades que podem não querer dizer nada para 99% da população, mas falo assim mesmo, enfim
  1. É o primeiro LP Beatle que tem 3 canções de George Harrison (Taxman, Love You To e I Want To Tell You), que foi o máximo que ele teve em sua carreira beatle... Bem, na verdade ele produziu 4 canções no Álbum Branco (1968), mas como era um álbum duplo, eu considero duas-por-bolacha, portanto Revolver ganhou! Além disso, Taxman teve a primazia de abrir um álbum Beatle, a única vez que George teve essa honra. As outras composições do disco são 6 de Paul e 5 de John, claro as 11 com o selo Lennon/McCartney (detalhes da parceria aqui, neste post). Uma das composições de Paul era Yellow Submarine, cantada por Ringo, que sempre teve garantida sua participação, mesmo compondo pouquíssimo.
  2. É o primeiro LP Beatle único do ano. Os Beatles acostumaram seus fãs com 2 LPs por ano desde 1963. Em 1966, foi só Revolver;
  3. É o primeiro LP a não ter fotos dos Beatles especialmente tiradas, na capa. Tem sim um maravilhoso desenho dos 4, obra de Klaus Voorman, um alemão amigo da banda desde os primórdios de Hamburgo! Além de várias fotos menores dos artistas em outros momentos;
  4. É o primeiro LP em que nenhuma de suas canções foi tocada ao vivo pelos Beatles. A última canção de LP tocada ao vivo foi Nowhere Man, do LP Rubber Soul, de 1965. Da época das gravações de Revolver, eles tocaram Paperback Writermas esta foi lançada apenas em compacto;
  5. É o primeiro a ser um dos LPs considerados como o Melhor dos Beatles em muitas listas, rivalizando com Abbey Road, Sgt Peppers e Álbum Branco;
  6. É o primeiro LP a apresentar a tecnologia ADT (Authomatic Double Tracking). Lennon estava cansado de dublar a própria voz nas gravações, e 'encomendou algo diferente! Ken Thousend, engenheiro de som da EMI deu um jeito e inventou o ADT!
  7. É um LP que tem uma de suas músicas consideradas como um breakthrouh, Tomorrow Never Knows, de Lennon, em que o músico, inspirado em viagens de LSD, queria implantar ideias mirabolantes no seio da canção. Queria que sua voz soasse como um monge do alto de um mosteiro. E o fez, com a aquiescência de George Martin. Ela tem um acorde só.... uma batida só (Ringo fundamental!) .... hipnotizante, psicodélico, inovador, precursor. Segundo Felipe, o último disco do Radiohead não existiria sem Tomorrow Never Knows
É pouco?

É sempre bom celebrar, enaltecer, reverenciar!!!


É Legal Ser Negão no Senegal

No Globo de hoje, um senegalês chamado Samba, 
naturalizado Qatari,
vai jogar Volei de Praia pelo Qatar, 
em dupla com um brasileiro idem.
O que naturalmente me fez lembrar
de minha experiência no Senegal.
Texto escrito em novembro de 2007
__________________________________________

Sanque em praça pública? É possível, permitido e oficializado em alguns lugares do planeta, e sem muitos traumas. Uma sólida introdução, antes de chegar ao tema...

O título deste ensaio, nada original, roubo-o de uma música de Chico César por ser sonoro, e por ser um pouco a expressão da verdade. Não sou um especialista em África, mas posso dizer que aquele é um país que tem futuro. Visitei o Senegal, a trabalho (claro!). Foi o sexto país africano que visitei, e me deixou boa impressão. Foram somente dois dias em Dakar, portanto, não se espere um diagnóstico vasto e preciso. E calma, o país está longe de ser uma Namíbia, que a colonização alemã deixou mais ou menos em ordem, “limpinho, nem parece África!”, como nosso politicamente incorreto ex-presidente falou ao lá chegar. Os senegaleses continuam sendo pobres, mas têm alguma perspectiva. Ou seja, não é a melhor coisa do mundo, mas é legal.
Senegal é aquele país na pontinha mais ocidental da África, e sua capital Dakar, localiza-se bem na tal pontinha, é o ponto africano mais próximo da América do Sul. Ponto estratégico, meio caminho entre este continente e a Europa, Dakar foi por muito tempo utilizada como ponto de reabastecimento em viagens de avião entre os dois continentes. Seu mapa político é muito interessante, pois aparece uma língua mais para o sul, que não é Senegal, e sim outro país, Gâmbia, ao redor do rio do mesmo nome. Se observar-se bem o mapa, o conjunto Senegal / Gâmbia assemelha-se ao rosto de uma velha, de perfil, olhando para o oeste, sendo o nariz a pontinha de Dakar, e o traço da boca, Gâmbia. Interessante que notei isso logo de cara, e falei a meus interlocutores, que acharam o máximo, nunca haviam percebido, nem mesmo os locais.  Etnicamente, são exatamente o mesmo povo e falam exatamente a mesma língua nativa, o Uolof, mas por resquícios da colonização, na “boca” fala-se o inglês, no “resto do rosto”, o francês. Aliás, a configuração lingüística desta minha missão foi bastante confusa: acompanhava-me um italiano, num país de língua francesa, com os negócios sendo tratados na língua do petróleo, que é o inglês, que bom, pois não falo a língua do biquinho, mas tentava un peu, com as 17 palavras de meu vocabulário francês, e ainda arriscava de vez em quando um italiano nas conversas com meu camarada, e quando eu não sabia a palavra correta, ia buscar lá no espanhol. Então, uma verdadeira salada!
Sempre que chego a um país africano,lembro-me da saudação padrão de nosso gerente geral da Nigéria, que ele mandava por email a todos os viajantes da empresa para o seu querido país, que, entre outros conselhos, dizia: “Se, por acaso, você não tiver sido encontrado (por um agente da empresa) depois de passar pelo check-out de bagagens, não saia do aeroporto em hipótese alguma. Da mesma forma, nem pense em pegar um táxi, pois correrá risco de vida.” .... pausa para suspiro ...

       No aeroporto de Dakar, entretanto, você não sente o assédio das pessoas querendo vender algum tipo de serviço. Você passa pela alfândega, direitinho, sem visto (se tiver Passaporte de Serviço), não tem ninguém querendo extorquir dinheiro. Você pede uma informação, o sujeito dá, sem pedir nada em troca, você pega sua mala, não aparece ninguém querendo ajudar, passa a mala num raio-x, portanto sem niguém querendo abrir pra ver “se tem alguma coisa interessante” pra achacar. Ou seja, não tem que ter os famosos “cem dólahh” no bolso, pronto pra facilitar as coisas. Com relação à arquitetura, o terminal de desembarque ainda tem a cara “This is Africa”, meio caído, já o terminal de  embarque é todo novo, informatizado, cheio de mármores e luzes, como qualquer outro aeroporto decente. Poderiam ter começado a reforma pelo outro, que já seria um excelente cartão de visitas.
Na saída do aeroporto, você acaba se lembrando que está na África, um monte de desocupados zanzando, mas ninguém nos assediou, fomos direto ao ‘shuttle’ do hotel, passando por meio deles. No caminho, era de noite, mas já deu pra perceber que a cidade está em obras, um prédio aqui, outro ali sendo construído, mas também, ainda muitas ruas sem calçada, marca registrada africana. Ao longo dos dois dias, presenciamos largas autopistas e viadutos em construção. Por outro lado, andamos também por ruas de terra, que o motorista que nos levava usava para cortar caminho e escapar dos engarrafamentos provocados pelas obras e por outro motivo sobre o qual falarei mais adiante (mééé). Sim, ruas de terra, mas nada que se compare ao que eu presenciei no Chade, paupérrimo país centro-africano, sem mar, em que andei mais da metade do tempo em ruas de terra: nem mesmo a rua na frente do aeroporto merece o tratamento. Calma, as pistas para descida dos aviões são de asfalto, e na verdade, formam um percentual importante para o país, que tem menos de 500 km de asfaltamento.
A outra parte daquela mesma simpática nota que mencionei lá em cima, falava da malária. Dizia: “A malária é uma doença endêmica na África, e pode se manifestar em duas formas: malária recorrente, tipo amazônica, e malária do sangue, conhecida como malária cerebral. A malária cerebral é a mais comum na Nigéria, e pode matar, por hemorragia no cérebro, em até 72 horas..... pausa para suspiro ...

       Deveras tranqüilizador, não? No Senegal, a coisa não é tão catastrófica assim, têm incidência apenas em partes do ano, mas, como alerta a nota, é uma endemia. E, se existe a expressão “calor senegalês” é porque certamente, tem épocas do ano em que faz um calor bem propício para a proliferação dos mosquitos.
O Senegal é um país com 95% de muçulmanos, mas com total tolerância religiosa, havendo casos de membros de uma mesma família com religiões diferentes. Não são, portanto, radicais. As mulheres andam com roupa ocidental, ou não, é opção delas. A poligamia é tolerada, mas a maior parte dos casais segue a monogamia. Mantém as cinco rezas diárias voltadas para Meca, a obrigação de visitá-la uma vez na vida, enfim e outros costumes, um dos quais, eu falarei adiante (mééé). Muito do esforço de construção que presenciamos é por conta de uma conferência da comunidade islâmica internacional que acontecerá em Dakar em 2008. Mas muito também da atual política imposta pelo presidente e equipe, no poder desde 2000, de investimento para o futuro.
Tivemos oportunidade de conhecer o Ministro da Energia, o motivo de nossa visita ao país, onde tínhamos sociedade com uma companhia italiana na exploração de um bloco offshore. Trata-se de uma figura imponente, energética, alto, jovem, de forte personalidade, que nos recebeu em elegante traje muçulmano (e chinelos). Fora recentemente empossado, fruto da nova composição política do governo, depois da reeleição, mais ou menos o que está a ocorrer por aqui. Vindo da área financeira, estudou e trabalhou em Londres em posições de comando. Nos últimos quatro anos, era presidente da estatal de energia elétrica, e agora subiu de posto.  A reunião foi brevemente interrompida logo no início, quando adentrou a sala o Ministro de Estado da Justiça, que foi recebido pelo nosso ministro com extrema reverência. Apresentou-nos a ele, dando o devido destaque à nossa empresa, e mostrou que sabe das dificuldades e dos custos da atual indústria do petróleo, em uma breve conversa com o ilustre intruso, antes de pedir muitas desculpas e mostrar-nos a porta da sala, explicando que uma visita daquelas não pode ser adiada. Depois ficamos sabendo das duas categorias de ministro: os de Estado, das grandes pastas, pessoas de grande experiência e proximidade com o presidente; e os normais como o nosso alto interlocutor, num nível inferior. Não temos correspondência aqui, mas não duvido nada que a nossa então super-ministra poderia interromper reunião de qualquer outro de nossos ministros menores. 

        Quando voltamos à sala, reiterou as desculpas pela interrupção. Enquanto tratávamos de nosso assunto, desfilava uma impressionante sequência de números, contando seus planos para o país. O país estava sendo reconstruído, como percebemos nas ruas. Seu conhecimento de finanças faz com que consiga altas somas de financiamentos externos (citou muitas cifras). O que mais impressionou foi quando disse que estão plantando o futuro, dedicando 40% (!!) do orçamento nacional para educação e 10% (!!) para a saúde. Que tal? Parece até mesmo um certo país de dimensões continentais que conhecemos aqui do outro lado do Atlântico, não? Bem, na verdade, aqui não precisamos disso tudo, temos excelentes resultados nos concursos internacionais de matemática e ciências....
Tem planos de longo prazo. A comunidade financeira internacional gosta disso e vem se mostrando disposta a ajudar, abrindo os cofres. Agrada também o fato de ser um país sem conflitos étnicos, com tolerância religiosa. O ministro diz que a mãe e a irmã dele são cristãs. No campo da riqueza, não quer cometer o erro de Angola e Nigéria, que gastam o que Deus (ou Allah) lhes deu em luxo para poucos, enquanto a população sofre. Eles sabem que terão petróleo, mas não querem esperar por ele e estão investindo pesado em infra-estrutura. O ministro é um workaólico, que trabalha das oito da manhã às 11 da noite, quando vai pra casa cuidar de sua “small family”, palavras dele, dormindo no máximo quatro horas por noite. Sua citação lembrou-me Napoleão, que dizia: duas horas de sono são suficientes para os comandantes, quatro horas para os comandados, e oito horas para os idiotas (ainda bem que estou mais pro meio!). 

       Contou que o Presidente, apesar de seus 82 anos, também tem esse pique, só que vai até as duas da manhã todos os dias. Disse que foram companheiros de luta e juntos ficaram na prisão, por mais de um ano. Disse que sua luta agora é contra o tempo. Diz: “We have a country to run!”. Não admite que se viaje dois dias para ter reunião em um e se retorne somente no dia seguinte: ele viaja de noite, passa o dia em reuniões e volta na noite seguinte. Reuniões em países árabes, aproveita para marcá-las em fins de semana, que são dias normais naqueles países. Quando volta, segue o ritmo normal de trabalho. Não há tempo a perder. Só falta Allah dar uma ajudazinha com o petróleo. E estávamos lá para ser Sua mão. Inshallah!
O petróleo é a dádiva divina que falta ao Senegal, mas abunda em Nigéria e Angola. Este nosso irmão de língua portuguesa tem a riqueza já desde a década de setenta, mas sofreu durante mais de 25 anos com a guerra civil. Agora é finda a guerra, eles têm a sorte de serem poucos (pouco mais de 12 milhões de habitantes), os recursos estão aparecendo, o país está crescendo a dois dígitos, mas grassa vez por outra um certo hábito no alto escalão, que faz com que a distribuição não seja lá muito equânime. O país segue tendo a maior taxa de mortalidade infantil do mundo. A Nigéria descobriu petróleo há mais tempo, já teve o seu auge, coincidentemente com o título de país mais corrupto do mundo. A atual administração quer acabar com a pecha, mas agora tem que distribuir riqueza por mais de 150 milhões de almas, concentradas numa área pouco maior que o estado de Mato Grosso (veja, sem incluir o do Sul). A pobreza é generalizada, há conflitos étnicos e uma religião não suporta a outra. Deu pra perceber a situação inversa de nossos amigos senegaleses?
Agora, a razão do mééé. Não é a 'marvada' pinguinha, como alguns apreciadores carinhosamente a chamam. Trata-se do som que mais ouvi em Dakar. Logo no primeiro translado entre o hotel e a estatal senegalesa, notei a presença nas ruas, em cada terreno baldio, ou em frente às casas, um pequeno acúmulo de cabras, ou em pé, ou deitadas em cima das outras, sendo movidas pra lá e pra cá, algumas teimosas sendo arrastadas. A cena ia se repetindo ao longo do caminho, de todo o caminho, quando o carro andava por ruas menores. Uma coisa impressionante! Na volta para o hotel, que começou às 18:00 horas, já anoitecendo, a cena continuava, agora sob a luz do luar, umas poucas de iluminação pública e das próprias luzes dos automóveis. Um número incalculável de cabras. Acho que vi seguramente muito mais cabra que gente. Aquela volta para o hotel demorou duas horas: era cabra atravessando rua, empacando na frente dos carros, sendo arrastadas. Aqui, temos o cabra da peste; lá, era uma peste de cabras. Acho que vi umas 10 mil, por baixo.
A explicação para esse movimento todo remonta aos tempos de Abrahão. Aquele profeta existiu antes da separação entre as três grandes religiões monoteístas de hoje: judeus, católicos e muçulmanos veneram Abrahão como um dos pais de sua religião. Diz a lenda que, para testar a fé do profeta, Deus ordenou a Abrahão que sacrificasse seu filho Isaac. O profeta não pensou duas vezes, pegou da espada, levantou-a sobre a cabeça do filho, e quando ia desferir o golpe, um anjo o impediu. Deus considerou prova de fé suficiente, e aceitou o sacrifício de um cordeiro em troca. E ele assim o fez, cortando a jugular do pobre bichinho, certamente no meio de um mééé. Pois é, a data é celebrada todos os anos, pelos muçulmanos, a Festa do Sacrifício. 

       Cada chefe de família repete o gesto de Abrahão, a Sunna, ali mesmo, no meio da rua. Faz parte do ritual a preparação da carne, depois de tirar a pele e os internos, que será dividida em três partes e dada aos pobres, aos parentes e para  a própria família ao longo da semana seguinte. Como nem todos têm animais, as últimas semanas antes da festa são tomadas pelo comércio, daí a enormidade de caprinos que invadiu as ruas, vindas do campo, num mercado a céu aberto.  Outros países muçulmanos também seguem o costume, Líbia e Paquistão, por exemplo. Pelo que soube, não precisa ser cabra, pode ser ovelha, boi, enfim, pobres sacrificandos!
Felizmente, a linhagem cristã de Abrahão não celebra aquele momento máximo de comprovação de fé. Acho que os judeus também não o fazem. E, felizmente também, o dia do sacrifício era exatamente um dia depois, quando havia saído do país. Trata-se de um costume, na minha opinião, meio incompatível com um país que quer ser moderno. Por outro lado, como se trata de uma tradição milenar, aliás, de vários milênios, é uma coisa impossível de ser revertida. Passa de geração para geração, os meninos sonham com o dia em que farão a sua primeira degola.


Que bom que a coisa iria acontecer apenas no dia seguinte, o 17 de novembro.

Enfim, esse era o recado. Claro que o Senegal não é uma Brastemp, mas certamente estava-se traçando o caminho para se tornar. À época...

O feriado religioso é móvel. Neste ano da graça de 2011, ele acontecerá no próximo domingo dia 6 de novembro...


Mééé

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Atlas, CD, Livro, Mapa ?!!!

Entrevidta ao site
Tenho Mais Discos Que Amigos
___________________________



Formada em 2010, época em que ficou conhecida por seus covers jazzísticos de canções pop, a Baleia despontou de vez como uma das boas novidades do cenário alternativo nacional em 2013, com o disco de estreia Quebra Azul. Numa época em que gêneros são separados e definidos à perfeição, como encaixes circulares, a banda carioca está mais para um cubo – sua sonoridade rica e expansiva não permitindo que o sexteto fique restrito só ao rock, ao pop, ou à erudição completa.


Atlas, disponibilizado nas plataformas digitais em março deste ano, segue trilhando o caminho desafiador pavimentado por Quebra Azul. Liricamente impactante, infinitamente atraente, e executado com paixão da primeira à última nota, o quebra-cabeça está prestes a receber sua versão física.

Mas não é como se um CD em uma caixa fosse suficiente para contar toda a história de um dos melhores discos do ano. Em parceria com a designer e ilustradora Lisa Akerman, a banda desenvolveu um livro com 32 páginas que expandem o universo de Atlas, além de um mapa. O álbum-livro, como vem sendo chamado, estará disponível no site oficial da banda no dia 29 de agosto.


Aproveitamos a fase final de preparação antes do lançamento para conversar com Gabriel Vaz, vocalista e compositor da Baleia. 

Leia abaixo!

TMDQA!: Vocês já disponibilizaram o Atlas nos serviços de streaming e ele vai ser lançado em formato físico no dia 29 de agosto. Mas além do CD, vocês estão incluindo um livro e um mapa que dialogam com o conteúdo das músicas. Qual a ideia por trás dessa reimaginação do lançamento físico do disco?
Gabriel: Quisemos fazer algo um pouco maior do que simplesmente botar o CD numa caixa. Primeiro porque a mídia do CD é uma coisa que já não faz mais sentido – aí pensamos “bom, vamos fazer algo maior, que tenha valor material de verdade”. Gravamos todo o instrumental antes, sem letra, então deu muito tempo para irmos pensando, entendendo e sentindo o que eram o lugar e o universo do disco. Desde sempre ele veio surgindo como uma coisa mais coesa. O conceito de lugar que disco habita, as histórias, as temáticas… foi tudo mais enredado. E tínhamos a ideia de transformar ele num universo, com habitantes, que tivesse dimensão estética e gráfica, além do som. Eu considero o livro uma parte complementar da obra, não só um adendo. É um portal para o público ter um entendimento mais profundo desse conceito que quisemos trazer.
TMDQA!: O álbum tem uma sonoridade muito expansiva e ambiciosa: ouvindo ele, parecia que eu tava numa peça da Broadway ou assistindo um filme de art house… são muitas texturas e alguns instrumentos são até difíceis de identificar. Como rolou o processo de gravação?
Gabriel: Foi muito engraçado porque, de certa forma, o caminho até o disco pronto se desenvolveu muito naturalmente. Quando lançamos o Quebra Azul (2013) achávamos que ainda estávamos num caminho incompleto, descobrindo muitas coisas, então estávamos em ponto de bala querendo fazer algo novo. Nos isolamos por dez dias em um sítio para gravar todos os instrumentais, levantamos as músicas em pouco tempo. Foi muito intenso. E para nós, não nos distanciamos dele com o Atlas – por mais que pareça que há uma certa quebra, foi uma espécie de continuação. Fomos influenciados por situações difíceis. 2015 foi um ano difícil para a humanidade, portanto existia esse espirito combativo, intenso, explosivo, de ‘chute na porta’, que acabou impresso no resultado final. O nome do disco não é à toa: Atlas é um titã da mitologia grega, condenado a segurar os céus nos ombros.
TMDQA!: E o resultado foi o que vocês esperavam? Planejavam desde o início que o disco tivesse essa densidade de detalhes?
Gabriel: Não pensamos muito sobre como ele seria. A ideia inicial era utilizar menos elementos, seguindo a filosofia do ‘menos é mais’. Mas no final das contas isso foi por água abaixo. É um disco que precisávamos botar para fora, e ele tem muita informação porque é um produto dessa era do excesso de informação. Mas chegamos à conclusão de que o terceiro álbum será bem, bem mais tranquilo (risos).

TMDQA!: Entre o lançamento digital do Atlas, em março, e o físico, no fim de agosto, vai haver um intervalo de cinco meses. Isso está se dando pelo custo da produção do álbum-livro, é uma estratégia de marketing, ou apenas uma opção de vocês?
Gabriel: Esse intervalo não foi necessariamente pré-concebido. É uma ideia que custa e demanda tempo, a ser levantada com recursos de uma banda que não é necessariamente mainstream. Somos uma banda pequena no meio alternativo. E pra gente pode até ser bom, vamos lançá-lo de novo com um complemento, apresentando o outro lado do disco em uma outra dimensão conceitual. Acho legal, porque o álbum se transformou num objeto artístico com desenhos e coisas que você pode ter em mãos, das quais você pode se apropriar.
TMDQA!: Que artistas ou bandas inspiraram vocês durante a composição desse disco? Eu, particularmente, consigo ouvir desde Arcade Fire e Radiohead até Marisa Monte e Arnaldo Antunes.
Gabriel: Existem bandas que não necessariamente influenciam a gente o tempo inteiro, mas que abriram nossa cabeça pro que queremos fazer, e devemos muito a elas. Radiohead é uma das maiores influências, porque cada um de nós veio de um lugar diferente igual eles. Nós nos inspiramos não necessariamente na música, mas no pensamento e na forma de trabalhar. Grizzly Bear, Caetano Veloso… a liberdade na qual esses artistas se colocam é admirável. A nível de universo lírico, acho que a maior influência é o autor português Valter Hugo Mãe. Eu e minha irmã costumávamos ler ele o tempo todo.
TMDQA!: O quão viável é ser uma banda alternativa no Brasil em 2016?
Gabriel: É muito gratificante. Também é foda mas, aqui no Rio, 2016 tá foda pra todo mundo. Temos muita sorte porque viemos de famílias estabelecidas. Temos outros pequenos trabalhos por fora, e sempre tivemos a possibilidade de reinvestir o dinheiro que a banda ganhava nela mesma. Começamos a tirar dinheiro para nós só esse ano. Então um dos fatores de estarmos onde estamos é que investimos nela, buscamos fazer as coisas com qualidade. E como tivemos a sorte de poder dedicar todo o dinheiro nela, a coisa tá começando a andar com as próprias pernas. Mas exige muito tempo e muito amor. Tem que se unir e ter muita boa vontade.
TMDQA!: E o que a Baleia está planejando para o resto do ano?
Gabriel: Vamos fazer mais shows. Tem a segunda leva da turnêzinha do Atlas, e alguns projetos que não posso dizer ainda.
TMDQA!: Você tem mais discos que amigos?
Gabriel: Eu sem dúvida alguma tenho mais discos que amigos! Aliás, sempre adorei o nome do site de vocês. É mais fácil ter discos bons que amigos bons.