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sábado, 1 de setembro de 2012

Política Externa Eternamente Errada

Meu amigo João, sabedor de minhas pretéritas opiniões, mandou-me um excelente artigo da Folha de São Paulo (aliás, aquele jornal tem me dado algumas alegrias ... hehehe). O jornalista Marcelo Coutinho expressa exatamente a minha opinião quanto à política externa desste nosso país.

Uma das vezes em que expressei minha insatisfação, foi na forma de versinhos, em  minha retrospectiva do ano de 2010


Lá fora, o Lula é O Cara,
"Casi una unanimidad".
Mas tropeça quando declara
O apoio a Ahmadinejad.

E mantém o mau costume 
De apoiar bolivarianos,
Aceitando sem queixume
O Chávez y sus hermanos.

Rafael Correa e Morales
Já causaram derrotas duras.
E se não bastassem os males,
Apareceu o cara de Honduras.

Zelaya exilou de pijama
Mas aqui ganhou guarida,
E veio inscrever sua cama
No programa Su Casa, Mi Vida

Mas, no andar da carruagem, a coisa continua ruim, apesar de termos refreado um pouco o apoio ao irã, por exemplo, só um pouco esse ímpeto de apoio a causas de ditadores... Mas na Líbia e na Síria demoraaamos a tomar posição, e fizemos aquele feio em Cuba, ao minimizar a morte do dissidente por greve de fome

E aí vem o artigo do jornalista, que eu convido a ler!

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/62786-primavera-arabe-e-inverno-no-itamaraty.shtml


5 comentários:

  1. Existe uma razão para esta incompetência toda e esta razão atende pelo nome de Marco Aurélio Garcia.

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  2. Marco Aurélio Garcia é, de fato, um problema maiúsculo para a nossa diplomacia. Mas enumeraria aqui um outro problema bastante sério, que é a formação dos nossos diplomatas. O Mestrado Profissional em Diplomacia, o curso de dois anos realizado pelos recém-admitidos no tenso Concurso de Ingresso à Carreira Diplomática, é falho em diversos aspectos. Em vez de Comércio Exterior, Questões Ambientais Internacionais e Direito Internacional, perde-se tempo com Inglês e Francês Diplomático, Literatura Brasileira e Etiqueta. Não que estas disciplinas não sejam importantes, longe disso, mas não é só disso que um Diplomata é feito. A Diplomacia é algo maior, muito maior. É preciso promover maior interação, por exemplo, entre empresas e corpo diplomático. A chamada Diplomacia Empresarial, por exemplo, deveria estar já sendo pensada pelas grandes empresas brasileiras, mas isso parece sempre ser visto como supérfluo.

    Isso tudo é reflexo de uma certa falta de costume para com as coisas internacionais. Somos um país continental, muito distante de centros decisores, como EUA e Europa. Estamos acostumados ao nosso provincianismo e vencer esta barreira cultural é difícil. Porém, passa da hora de pensar o Brasil como país internacional e fazer valer toda a expectativa que se deposita em nós.

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  3. Homero, acho muito raso falarmos de apoio a ditadores etc. É apenas uma questão de abordagem. Gostaria de lembrar que Gandhi nunca se recusou a dialogar e negociar com os "santos" ingleses que "zelaram" pela Índia. Estes "santos", hoje, querem apenas isolar mais uma nação, na desculpa de que estão isolando um ditador. Para mim, o que os britânicos fizeram há poucas décadas na Ásia, assim como também o fizeram os americanos, não é de melhor valia do que fizeram os ditadores em questão. Estar sempre aberto ao diálogo é a melhor forma de alterar uma situação, especialmente porque os branquinhos de bochecha rosa têm telhado de vidro e não deveriam exigir muita coisa.

    Folha de S. Paulo? Não, obrigado. :)

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  4. Homerix,

    O texto do Marcelo Coutinho é um convite à reflexão. É muito bom que textos com valor intelectual sejam publicados para o exercício do pensamento, da discussão, dos esclarecimentos, das contribuições para correções de rumo. Pelo que conheço do Itamaraty, este tem excelentes diplomatas em seus quadros. Pessoal de sólida formação e de alto nível intelectual. Ao longo do tempo têm trabalhado ações para ampliar a atuação de forma a contribuir para melhorar as relações comerciais do Brasil. Do meu ponto de observação, soa paradoxal, entrementes, o apoio a países refratários aos preceitos democráticos e isso, certamente, não parace ser vontade de maioria no Itamaraty, mas induzidas por orientações que conflitam com as construtivas tradições da diplomacia brasileira. Chega a ser frustrante observar a postura diante das agressões impostas pela frente bolivariana, que confunde acordos comerciais com soberania nacional. Entre as agressões, as perdas que experimentamos em países cujos atuais mandatários, de posturas nada amistosas, impõem radicais mudanças de regras do jogo, no meio do jogo. Sem contar o espinhoso abacaxi “gentilmente” colocado no colo do Brasil, como o caso do ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya. No conjunto da ações infelizes, não há como esquecer aquela da “mediação” concernente à questão do enriquecimento do urânio iraniano...

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