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segunda-feira, 16 de junho de 2008

AWoL - Ensino para todos

Conversei com colegas que estavam vivendo suas experiências daquele modo de vida, e pude compartilhar com eles as vividas por mim e por outros colegas que lá estiveram. O sistema de ensino excepcional que atende a todos, sem distinção de nacionalidade, raça, renda ou cor, se bem que neste último quesito, fica claro o preconceito, apesar do direito oferecido. Ocorre a distinção, a começar na classificação ao se fazer a matrícula,. O pior é que  misturam cor da pele com origem, na separação por grupos étnicos, os 'hispanic', os ‘native americans’, os ‘caucasians’, os ‘african americans’. Fica difícil posicionar a nós, humildes brasileiros, que também somos latinos, mas não 'hispanic',  e somos brancos mas não 'caucasians', negros mas não 'african american'. E os brasileiros mulatos, então? A dificuldade é grande e a gente acaba se auto-classificando como 'others'. Depois, tem-se que agüentar as estatísticas de desempenho de seus filhos, separadas pelos mesmos grupos étnicos, fazer o quê.
A escola pública é de ótimo nível, e só vai para a escola particular quem pode pagar, e não gosta do convívio de suas crianças com gente de classes inferiores, ou mesmo, se não quer saber de mistura com gente de outros países. Ressalte-se que todos são bem tratados, venham daonde venham, há até mesmo programas para os recém-chegados que ainda não dominam a língua inglesa, o ESL – English as a Second Language. Meus dois filhos passaram um tempo lá, mas logo saíram para as classes normais.
Colegas recém-chegados passaram pelo desespero inicial da criança, acostumada a ter uma sala da turma onde ela permanece sentada, quietinha, aguardando os professores das diversas matérias, e encontra um esquema exatamente ao contrário, onde os professores é que ficam quietinhois, e as turmas se movimentam em busca da sala do professor da matéria, numa balbúrdia imensa a cada intervalo. Entretanto, a criança acaba logo se acostumando, pois além de usar a agitação da troca de salas para espantar o sono, reconhece logo que, didaticamente, é bastante conveniente o professor dispor de uma sala só para a sua matéria, já pronta com decoração e aparelhagem destinados a aumentar o conteúdo da aula.
 Neste quesito chegada, tive um episódio interessante. Antes da descrição, uma contestação: se você está direito as coisas acontecem direito, e rápido. Cheguei aqui de mala e cuia, com a família, no dia ZERO, matriculei meus filhos no dia UM, e eles foram à escola no dia DOIS. Claro que eu estava com a documentação toda em dia, currículo escolar traduzido oficialmente, atestados de vacina preenchidos, enfim, tudo nos conformes. Bem ,foi assim, fácil, mas na noite do dia DOIS, encontrei meus dois filhos chorando em casa. Eles demoraram muito a se acostumarem: TRÊS dias inteiros. Na tarde do dia CINCO, um sábado, estava com meu filho no game-room (outra instituição americana), jogando ping-pong (numa mesa que foi minha primeira aquisição naquelas terras) quando, logo antes de dar um saque, meu filho apoiou a raquete na mesa e disse: “Sabe, pai, acho que vamos ser felizes aqui!”. Não preciso dizer que os olhos marejaram imediatamente, assim como estão agora, ao escrever estas linhas.

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